Incongruências
Quarta-feira, Agosto 13, 2008
A razão pela qual eu gosto de São Paulo
Lugares que ficam abertos 24h. Quem não se sente tentado por este tipo de coisa? Sei que é triste não fechar, não ter horário fixo pra limpeza ou qualquer operação necessária pra um estabelecimento funcionar, mas ficar aberto 24h simplesmente desbanca toda a concorrência em um lugar onde se sabe que existem pessoas insones. Ou baladeiras. O fato é que todas elas se encontram em um só lugar. Aí você vê o restaurante encher e esvaziar, pessoas bêbadas, pessoas que gritam, pessoas que obviamente se drogaram, pessoas que dormem no meio da refeição, pessoas que trazem garrafas de smirnoff pro McDonald's (basta você mesmo se convencer e pumba: é balada)... E aí tem o lance de o McCafé não ser bom, os caras não levam muito jeito pra isso (favor se dirigir ao Starbucks mais próximo). Mas a idéia de um Café 24h é válida, sempre existem pessoas dispostas a bater um papo em um lugar legal, com cafeína pra animar a virada, claro. Ou então, minto, podia ter café que abrisse só de noite, que tal?
p.s.: Ter Black Dog 24h também é uma delícia.
p.s.2: Se alguém conhece um Café nesse estilo que foi explicitado, favor avisar. hahaha
Quinta-feira, Julho 24, 2008
congruência
con.gru.ên.cia
sf (lat congruentia) 1 Qualidade de congruente. 2 Ato ou efeito de concordar, de coincidir. 3 Relação direta de uma coisa ou fato com o fim a que se destina. 4 Conveniência, propriedade. Sin: congruidade. Antôn: incongruência.
fonte: Michaelis
Terça-feira, Julho 22, 2008
FLIP 2008
Este ano resolvi ir conhecer a cidade de Paraty (vergonha, nunca tinha ido até lá) e conhecer também a famigerada Festa Literária que lá ocorreu neste mês de julho. Pra não correr o risco de morrer de tédio, resolvi passar apenas a sexta, o sábado e o domingo por lá. Sexta-feira cheguei lá pelas 13h, me instalei em um local bem longe do centro da cidade e resolvi esperar a minha amiga que chegaria de São Paulo no meio da tarde. Quando meu pai me deixou perto da Tenda dos Autores, resolvi que iria explorar a cidade (mesmo achando que correria o risco de me perder), ver se chegava na rodoviária, e quando chegasse lá, talvez já fosse hora de buscar a minha amiga. Depois de 15 minutos, eu já tinha andado bastante pelo Centro Histórico e já estava na rodoviária. “Que merda”, pensei.
Depois de encontrar com as minhas amigas, andamos pelo centro e entramos em um café onde provavelmente estava acontecendo algum dos eventos da Off-FLIP. Bom, eu não estava entendendo nada, tudo aquilo me parecia um monte de sons ecoando Paraty afora. O interessante de lá é isso. Barulho tem vindo de todos os lados, resta às pessoas saberem aonde querem ir e o que querem ver. Andamos por vários bares e restaurantes, bebemos cervejas, eu tomei muita coca-cola, pessoas tentaram vender inúmeras coisas pra gente e nos entregaram quilos de papéis. No sábado foi que começamos a assistir algumas das mesas. Começamos por Fábulas Italianas com Alessandro Baricco e Contardo Calligaris. Me lembro de pouca coisa, mas o debate foi bem-humorado e Calligaris soltou algumas frases interessantes. Depois, Paraíso Perdido com Cees Noteboom e Fernando Vallejo foi uma mesa de alfinetadas, risadas e polêmica por parte de Vallejo. Radical, Vallejo parecia preferir conversar sobre a erradicação da fome no Brasil graças ao queridíssimo presidente Lula; quando perguntado sobre o que, afinal, o agradava, o escritor disse que o momento o agradava, arrancando inúmeros aplausos da platéia comovida. Foi bastante engraçado e o Cees é ótimo. O livro parece ser muito bom. Às 19h foi a vez do aguardadíssimo Tom Stoppard, que tirou um momento para dar uma espécie de palestra para a platéia, abordando concepções muito interessantes, e como pude logo perceber, com grande apreço a Tchekhov. Me parece que esta mesa está no youtube, e a mediação engraçadíssima foi do Luis Fernando Veríssimo. Depois disso tudo, comprei meu livro do Wisnik, assisti à algumas apresentações em alguma rua pedregosa do centro histórico, bebi umas cervejas, tomei uma Gabriela (foi um prazer conhecê-la, hahaha), escutamos uns sambas em um restaurante e fui dormir (pouco) pro dia seguinte, que começava cedo.
Às 10h da madrugada de domingo, eu assisti Os livros que não lemos com o Marcelo Modesto e Pierre Bayard e a mediação simpática do Calligaris. Talvez uma das mesas mais interessantes. Bayard se declara contra a sacralização da leitura e eu senti uma vibe meio Ítalo Calvino; cada um tem os seus próprios clássicos. Ainda nessa vibe, Calligaris afirmou que é normal comprar 3x mais livros do que a gente na verdade lê, e todos os participantes prezaram essa relação com livros que vai além da leitura. O Globo entrevistou alguns autores da FLIP e peguntou a eles qual era o livro não-lido preferido de cada um. Muitos votaram em A Montanha Mágica, Moby Dick foi mencionado, e até surgiu o conselho de que é melhor falar sobre autores mortos. Eles não estão lá pra negar o que você está dizendo mesmo... Certamente um assunto muito interessante e que, ironicamente, poucas pessoas devem ter lido no próprio livro, o que comprova toda a idéia de Bayard.
Depois foi vez do Wisnik e Roberto DaMatta falarem sobre futebol, uma das mesas mais legais também, e absolutamente interessante. O livro do Wisnik que eu tinha acabado de comprar, Veneno Remédio, analisa a sociedade brasileira pelo viés do futebol e explora as peculiaridades do esporte no país. É coisa de se ler mesmo. Eu achei genial do início ao fim.
Depois, logo antes de ir embora, uma mesa sobre o Machado de Assis, que foi interessante, mas não quero me estender, não vi nada de muito novo por lá.
E aí eu fui embora. Mas satisfeita. Tinha ido com pouquíssimas expectativas para a Festa e voltei com a sensação de que lá eu estava em casa. Pude compartilhar a obsessão pelos livros e o desespero de se querer ler até não poder mais com loucos que abordaram vários assuntos interessantíssimos. Já não tenho dúvidas sobre o ano que vem.
Sexta-feira, Junho 20, 2008
Considerações conturbadas de uma deliverymaníaca
Sabe, né, mundo moderno, grandes cidades, stress e falta de tempo. O que vocês não sabem é que, no meu conceito deturpado, McDonald's é o primeiro lugar da listinha de top restaurantes delivery, com direito a 8 estrelinhas imaginárias. Vou explicar porque. Não gosto do McDonald's, acho um restaurante de crianças idiotas. Os logos, horríveis. E aqueles desenhos? Não dá. Mas o fato é que agora o Mc (fazendo a íntima), além de aceitar pedidos pela internet (não ter que falar com atendentes é um luxo), permite que os clientes paguem com cartão de crédito. Oi, tem coisa melhor que isso? Praqueles que sempre esquecem de ir ao banco e se desesperam sem um pingo de comida em casa (ops! o supermercado já fechou), é o paraíso propriamente dito. Só não dou as 13 estrelinhas porque sou realista, exijo o impossível; gostaria que eles incluíssem o cardápio do McCafé pro delivery e que largassem de ser idiotas com aquela decoração estapafúrdia. (Sim, estava aguardando pra poder usar essa palavra)
Outro item que conta, e muito, é se o restaurante entrega na área em que moro. (Lógico, condição indispensável pra se estar num post meu sobre delivery) Por isso dou 2 estrelinhas pro China in Box já de cara, acho muito digno. Fora isso, o yakisoba deles é respeitável (acreditem, já vi umas coisas horrorosas... the horror...), só não gostei da espera imensa hoje, portanto, toma lá mais umas 2 estrelinhas. Isso dá um total de 4 (não faltei às aulas de matemática), mas vou dar mais 1, pelo menos, pelo China Money que me deram. E o biscoito da sorte. Tá, mais 1 estrelinha porque as sortes são inspiradoras (ao contrário das do orkut, muito melhor eles fariam se me dessem números para apostar na Mega Sena também). Daí ficaram 6 estrelinhas. Até que vai.
Menos 40 estrelinhas pro Black Dog por ter a cara de pau de não me oferecer serviço de delivery.
Não quero falar sobre pizzarias, já fiquei mais de hora esperando. Menos 50 pra vocês, queridos.
Pra comida, dou tipo umas 4, 5 pro restaurante que já pedi. Chega rápido, mas é comida demais pro meu gosto e eles sempre colocam coisas que não quero. Mas por ser rápido, dou mais umas 2, pra servir de exemplo aos outros.
Daria 100 estrelinhas pro Starbucks se eles viessem toda manhã me trazer um Mocha.
E Pizza Hut, cadê você?
Perdoa Deus, eles não sabem o que fazem.
Sábado, Junho 14, 2008
Reiterando o meu gosto esdrúxulo por seriados americanos, um que eu venho matutando muito recentemente é Gossip Girl. Me disseram que a série é baseada em alguns livros homônimos (ainda não cheguei ao ponto de lê-los, a faculdade já me atola com um número incontável de obras), que, afinal, talvez não tenham tanto a ver com o que se tornou a série. Mas quem se importa? [Acho que estou encarnando a Gossip Girl. xoxo] O que acontece é que os riquíssimos de Manhattan saem causando pela Nova York, sempre acompanhados pela onipresença da blogueira Gossip Girl, que fornece os mais novos "babados" sobre a elite da cidade. As duas beldades principais, Serena e Blair, constantemente entram em conflito entre si (apesar de serem bff, best friends forever) e com quem mais aparecer. Mas o que parece é que, no fundo, tudo continua o mesmo. Quem nunca deu muito certo junto, dificilmente ficará junto (estou me baseando no fim desta temporada), Blair nunca deixará de ser uma bitch, e, o que foi a melhor cena, na minha humilde opinião, vem a seguir (Isso sem contar a resignação deliciosa de Chuck Bass: uma vez mulherengo, sempre mulherengo.):
Em um dos últimos episódios da temporada, o grupo de amigos (não tão amigos mais) de Serena insiste para que ela conte o que tanto a perturba. Serena teme revelar seu segredo, e o argumento de Chuck, Nate e Blair é o de que todos eles já fizeram besteira, um dormiu com a melhor amiga da outra; o outro, com a namorada do seu melhor amigo (e tudo nesse mesmo grupinho), ou seja, todos têm plena consciência de que já fizeram coisas imperdoáveis e juntos encaram isso com normalidade. Não que já tenham se reconciliado, mas é só questão de tempo. Os personagens de Gossip Girl são extremamente self-conscious, sabem o que fazem, conhecem o inevitável. Ou seja, eventualmente, tudo ruirá novamente; Serena brigará com Blair, alguém trairá alguém, e quem sabe, com tempo, as coisas voltarão ao normal.
The Best Years
Essa série da Sony, que eu peguei meio que com o bonde chegando no local de destino já, tem o peculiar dom de me causar reações inesperadas. Eu sempre acabo xingando todo mundo, e mais de uma vez já me peguei desligando a televisão por conta de algumas atitudes da feroz Samantha Best. A série basicamente conta a história de uma menina órfã (a srta. Best em questão) que ganha uma bolsa pra uma faculdade qualquer lá dos EUA, etc etc, alguns dramas, e ela sempre fica com todos os caras, toma decisões radicais e frequentemente se contradiz. Pois eu digo que cheguei a me senti ultrajada às vezes, senti um pouco de raiva da mocinha impetuosa, que certa vez ganhou até um mega sermão e a alcunha de hipócrita. E sim, Samantha Best é deliciosamente hipócrita, e talvez seja por isso que eu sinta tais emoções ao assistir a série, simplesmente por um efeito de espelhamento. Ora, é complicado quando a gente se defronta com os nossos defeitos. A pobre universitária órfã sofre do mal da adolescência, tem personalidade forte, e, por ironia do destino, sempre se vê obrigada a tomar rumos que antes até abominava. Ninguém gosta de admitir erros, nem Samantha Best e nem eu, a princípio. A série é bastante realista nesse sentido, e eu me pergunto, afinal, se a hipocrisia não se alastra por todos os estratos de vivência (Best critica cruelmente sua tia, mas as duas poderiam dar as mãos); se a incongruência não é, de fato, inerente ao homem. Os santos que me perdoem.
Para os esfomeados paulistanos de plantão (apenas os solitários, ok), que estranho é acordar às quatro da tarde num domingo maluco, resolver ir ao Black Dog da Faria Lima, escura já às 17h, e estranhamente vazia. Servindo batatas fritas de péssima qualidade, o estabelecimento possui um segundo andar não muito grande, mas vazio, já que o da Paulista provavelmente estaria apinhado de gente (porém, servindo comida menos intragável, reconheço). Conclusão: dá pra brincar que São Paulo é um fim de mundo inabitado, sentando-se ao redor de tantas mesas vazias, e o melhor! Comendo que nem um animal sem ninguém ver.
Domingo, Maio 18, 2008
É incrível e de se admirar a nossa capacidade de estar pouco se importando com as coisas. Ao contrário das discussões anfíbicas --"Não foi!" --"Foi!"--"Não foi!" (salve Bandeira!), acho muito melhor o uso da nossa segunda vogal:
-- "Não foi!"
-- "E?"
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